segunda-feira, novembro 27, 2006

A mediocridade: o caso da arquitectura

Enviaram-me esta nota por email...mesmo que não tenha sido realmente escrita no dito jornal (e se tal aconteceu peço desculpa a todos por apresentar esta informação) a meu ver retrata a mentalidade ainda vigente na cabeça da maioria das pessoas neste país.
Bem percebo que a arquitectura não seja um bem essencial na vida das pessoas, ou seja, na hora de gastar dinheiro primeiro gasta-se para comer, depois para tratar da nossa saúde e só depois todas as outras coisas. Mas se vamos fazer qualquer coisa, incluindo construir uma casa, vamos faze-la bem feita ou arriscamo-nos a ter que viver e conviver com a mediocridade. Em Portugal é recorrente assumirmos esta postura, sempre à procura do caminho mais "fácil" e depois passamos todo o tempo livre a reclamar o estado das coisas. Talvez daqui a algum tempo a mentalidade da grande parte da população se altera e possam perceber de uma vez por todas que a mediocridade não é uma coisa boa, e que fazer as coisas bem feitas não nos dá mais trabalho...poupa-nos mas é muito trabalho e complicações.
Tinha que desabafar...estou farta de ver uma sociedade que tem potencial para ir mais longe e se contenta com caminhos "fáceis" e a mediocridade geral.


Como construir a sua moradia sem ter que aturar um arquitecto
Rui Campos Matos (escrito para o Diário de Notícias da Madeira, secção "Arquitectura e Território)

Quantas pessoas, quando chega o momento de construir a moradia com que sempre sonharam, não passam pela aflição de perguntar a si próprias: será que vou ter de aturar um arquitecto? Neste pequeno artigo, tentarei explicar como construir uma nova casa, sem se sujeitar às exigências de um desses profissionais. Para que o empreendimento seja levado a cabo com êxito há que fazer três importantes escolhas: estilo, técnico e empreiteiro.

O estilo
Eis-nos perante a primeira decisão a tomar - o estilo da casa. Felizmente não é difícil porque existem apenas dois: o tradicional (também conhecido por rústico) e o moderno, que vem colhendo cada vez mais adeptos entre os jovens. O tradicional caracteriza-se pelo típico telhado de aba e canudo, a janela de alumínio aos quadradinhos, a lareira de cantaria com a sua chaminé e o imprescindível barbecu, testemunho dos inumeráveis prazeres da vida rústica. Já o moderno é completamente diferente, tão diferente que até as coisas mudam de nome. O telhado desaparece, dando lugar à cobertura plana; a janela perde os quadradinhos e passa a chamar-se vão; à chaminé, em tubo de aço inoxidavel, chama-se fuga; e barbecu é um termo obsceno que deve ser evitado na presença das senhoras. Não existem, pois, quaisquer espécie de dúvidas quanto a questões de estilo - ou se é tradicional ou se é moderno, as duas coisas ao mesmo tempo é impossível.

O técnico
Escolhido o estilo, há que escolher o alfaiate, que aqui designaremos pelo técnico. Trata-se de uma escolha muito fácil, porque o que não falta são técnicos. Intitulem-se eles construtores civis diplomados, agentes técnicos de engenharia, electricistas habilitados ou desenhadores habilidosos, todos se regem pela mesma cartilha, a de João de Deus: o pinto pia, a pipa pinga. Não passaram cinco anos a estudar arquitectura? Não estagiaram mais dois? Que importa isso? Concentremo-nos apenas nas suas virtudes: 1- Projecto elaborado em tempo recorde. 2- Preço: 999 ?. Mas como conseguem eles ser tão eficazes? É simples: antes de encomendado, o projecto já está feito. Até parece milagre! Mas não é, o que se passa é o seguinte: o técnico tem duas pastas no computador, uma para projectos em estilo tradicional, outra para os modernos. Escolhido o estilo pelo cliente, é fácil, emenda daqui, remenda de acolá e, numa tarde, o projecto está feito! Para quê complicar? "Mas o rapaz parecia semi-analfabeto, disse que não podia assinar o projecto, mas que havia outro técnico que podia.". Não é caso para preocupações, trata-se de uma situação corrente em que um técnico analfabeto paga a um técnico habilitado para que este, a troco de uns trocos, assine de cruz. Está tudo incluído no pacote e, (ironia do destino!), quantas vezes o técnico habilitado não é um arquitecto daqueles que faltaram às aulas de religião e moral. Aprovado o projecto, o técnico já não é preciso para nada. É dizer-lhe adeus que ele até agradece, porque de obra não percebe nada nem quer perceber, quem percebe disso é o empreiteiro - a nossa terceira e última escolha.

O empreiteiro
O primeiro encontro entre cliente e empreiteiro costuma ser decisivo. É nele que terá de se estabelecer, entre o primeiro e o segundo, uma relação de confiança cega, em tudo semelhante à fé. A fé de quem acredita que, com um projecto feito por um técnico, que não especifica nada, que não pormenoriza nada e que não quantifica nada, não vai ser enganado por um homem que passa o dia a fazer contas de cabeça.Entre cinco pequenos empreiteiros, como escolher o indicado para construir a moradia? Infelizmente, chegados a este ponto, não posso recomendar senão fé, muita fé e confiança, porque tudo o resto é irrelevante: 1- O valor do orçamento é irrelevante, foi feito com base no projecto do tal técnico, é um número atirado para o ar, um número que, com os imprevistos, há-de subir ainda umas quantas vezes. 2- O prazo estabelecido para concluir a obra vai depender do bom ou mau tempo e, nesse capítulo, só Deus sabe. 3- As garantias dadas são as que estão na lei - cinco anos. Se a casa apresentar defeitos, reclame; se a reclamação não for atendida, recorra ao tribunal (também pode recorrer ao pai natal se achar que demora menos tempo.) Em suma, não vale a pena perder tempo com ninharias, o mais importante é ter fé.

Conclusão
Se, apesar de conscienciosamente feitas estas três escolhas, as coisas não correrem lá muito bem, se a casa ficar pelo dobro do preço, se no Verão se assar lá dentro e no Inverno se tiritar de frio, se para abrir a porta do armário for preciso arrastar a mesa de cabeceira, se o vizinho protestar com o barbecu, se a cobertura plana meter água, não vale a pena desesperar, resta sempre a consolação de não ter tido de aturar um arquitecto.

segunda-feira, novembro 20, 2006

Mais Cinema

Para quem gosta de clássicos ou está numa de ver um filme fora do circuito convencional...

http://www.gulbenkian.pt/filmes.asp

"COMO O CINEMA ERA BELO
50 filmes inesquecíveis

Integrado nas Comemorações do Cinquentenário da Fundação e em colaboração com a Cinemateca Portuguesa - Museu do Cinema, este Ciclo de Cinema apresenta 50 filmes, numa escolha de João Bénard da Costa. Uma mostra que assinala também a contribuição da Fundação, entre 1973 e 1990, para a divulgação do cinema através da organização de Ciclos, com obras clássicas, que marcaram uma época na formação dos gostos e na cultura cinematográfica em Portugal.

Todos os filmes serão apresentados no Grande Auditório da Fundação.
Os bilhetes custam €2,50."

sexta-feira, novembro 10, 2006

Dia de Aniversário

Hoje é o meu aniversário. Faço 26 aninhos.

Resolvi escrever este post para dizer ao mundo e sobretudo aos meus amigos que hoje faço anos e estou muito feliz por isso!

Adoro este dia porque tenho um bom motivo para juntar todos os meus amigos, porque posso fazer criancices que me apeteciam muito e que apenas estavam escritas no meu Livro dos Pequenos Prazeres a Realizar, e sobretudo porque é o dia em que faço um balanço da minha vida até agora... Adoro a minha vida...se voltasse atrás não mudava nada...apenas faria ainda mais coisas...mas ainda tenho muito tempo para as fazer (espero eu)!

Parabéns para mim...

As máquinas e o trabalho

Este semana foi uma loucura...tinha que entregar um trabalho no qual já andava a trabalhar há algum tempo e até estava a correr bem. Eu decidi contrariar anos de stress e terminar o trabalho na véspera da entrega (aliás, como deve ser feito)...e ainda continuava a correr bem o dia. Mas, como não há bela sem senão...tinha que falhar algo: a impressão! Claro...tudo prontinho no computador, precisava fazer as provas de impressão e a Sra. Dona Impressora não lhe apetecia trabalhar! Pânico, stress, raiva...racionalização... desliga tudo, liga a menina outra vez, fala com ela, recorre à tipica pancadinha-que-concerta-tudo, raiva outra vez...café...desliga tudo de novo de relaxa...acaba o café..lia a princesa e ...voilá....funciona. Tenho uma hora para imprimir...tic tac...e consegui! :D

Confesso que a euforia que se vive depois do trabalho pronto é muito maior quando o percurso para o terminar é tortuoso e luta furiosamente contra o tempo fazendo-nos experimentar estados de ansiedade bastante violentos....mas estas flutuações de humor tão intensas e repentinas não podem fazer bem à nossa saúde fisica e mental... O que me leva a perguntar: Porque é que eu escolhi esta profissão? Mas isto é assunto para um outro post...para um outro dia!

Paris, je t'aime


No fim-de-semana passado fui ver este filme (http://www.allocine.fr/film/fichefilm_gen_cfilm=46401.html) ...e gostei muito!

Primeiro adorei a maneira como apresentam Paris aos espectadores, dividindo o filme pelos diferentes bairros de Paris, mostrando não só o espaço urbano e edificado mas também as pessoas (estereótipos) que habitam nele. Afinal de contas qualquer cidade só sobrevive se as pessoas a utilizarem...caso contrário não existe génio urbanistico ou arquitectónico que as salve!

Este é um filme...de contos, de 18 contos sobre o amor: amores diferentes, reais e surreais, amados e malamados. Não é um filme de encontros e desencontros de um grupo de pessoas numa mesma cidade...alguns deles nem ficamos a saber se algum dia se encontrariam... É um retrato do amor. Não construiram uma história com principio, meio e fim mas sim várias que pretendem mostrar as variadas expressões deste sentimento que move o mundo!

Este remate foi poético, não foi! ;)

sexta-feira, novembro 03, 2006

Marie Antoinette


Marie Antoinette...vale a pena ir ver pela actuação da Kirsten Dunst (que eu achei muito boa), pelas cenas captadas pelo olhar pouco comum de Sofia Coppola, pela banda sonora (que me é particularmente querida)...enfim pela combinação normal de tantos factores (a)normais...

Divirtam-se como esta menina se divertiu (como podem ver aqui)http://www.sonypictures.com/movies/marieantoinette/index.html...afinal c'est Versailles!

Feliz

Hoje sinto-me particularmente feliz...não sei porque razão, talvez a chuva tenha a sua quota parte de culpa...talvez seja o facto de ser sexta-feira...ou se calhar tive sonhos cor-de-rosa...Não sei e nem quero saber. Sinto-me bem e apetecia-me reunir todos os meus amigos e fazer uma jantar...socializar um pouco e esquecer os nossos (pequenos) problemas por um par de horas.

É muito bom estar feliz...espero que hoje haja muita gente como eu!

quinta-feira, novembro 02, 2006

Nasce um Blog

No dia de Finados...nasce um blog. A Tinta da China se escreve um elogio à renovação e as memórias do que há-de vir...